A diversidade de características da arquitetura brasileira

A arquitetura brasileira que vemos hoje em todo canto se configura como um grande misto de referências externas. Sem qualquer tipo de uniformidade estética, é justamente essa variedade de formas e modelos que mais caracterizam nossas construções.

A diversidade de padrões deve-se, principalmente, à história do Brasil – um país colonizado por muitas nacionalidades, a partir da chegada dos portugueses. Assim, as influências vieram de todos os lados, moldando nossa cultura e, claro, nossa arquitetura também. Abaixo, listamos mais 5 fortes influências da arquitetura brasileira que refletem muito do que podemos observar nas grandes cidades e, de mesmo modo, nos menores vilarejos do país.

  • Regionalidade

Falando assim, até parece que o Brasil, este país tão vasto em território e cultura, pode ter sua arquitetura definida por 5 pontos comuns. Muito pelo contrário! Cada região brasileira carrega um traço que a difere das demais. Tal regionalidade, também presente na linguagem e na culinária, está muito relacionada com os aspectos geográficos de cada ponto do Brasil. É inegável que fatores como o clima, por exemplo, interfiram nos hábitos da população.

Veja, por exemplo, as casas de palafita das comunidades da região amazônica. Elas se adaptaram aos rios, sendo construídas a alguns metros do chão, a fim de evitar inundações em período de cheia. Outro exemplo está mais ao sul, influenciado em grande parte pela arquitetura europeia, devido à colonização alemã ocorrida por aqui. Já em Minas Gerais, as referências têm ligação com a época da mineração, como também foram vigorosamente motivados pela religião católica. Não é atoa que as principais e mais ricas construções são as Igrejas, até hoje.

  • Religiosidade

Historicamente, a colonização teve presença firme da Igreja Católica. Consequentemente, a história arquitetônica também sofreu os impactos da religião – a redução jesuíta, que consistia na área residencial dos padres, além de uma capela, um vasto espaço livre, e todo o redor dessas estruturas, onde os índios moravam em tendas. Ainda nos dias de hoje, muitas cidades conservam esse formato. A praça era o centro da comunidade, bem em frente à igreja matriz. Somente a partir dela é que a população começava a construir suas casas e comércio.

Um fato que se soma a essa influência religiosa na arquitetura é observar as construções de igrejas evangélicas brasileiras. Sem qualquer tipo de sino ou torre, elas foram obrigadas a ter características mais discretas devido à dominação católica.

  • Barroco rococó

O período colonial atuou na construção de edifícios aos estilos europeus da época – o barroco e o neoclássico. A arquitetura neoclássica é mais comumente vista nos prédios e instalações urbanas e oficiais. Já o barroco teve mais sucesso no interior do país, onde pode ser encontrado na arquitetura sacra das igrejas. Este estilo chegou a dar asas a grandes artistas nacionais, como o célebre Aleijadinho.

Especialmente no século XVIII, com o sucesso da mineração, as riquezas começaram a ser esbanjadas na arquitetura, juntamente do estilo rococó. Essa junção era feita utilizando edificações simples, como as de taipa, porém enfeitadas com muitos detalhes. As decorações, então, nem se fale! As casas ostentavam peças em madeira, ouro, e até mesmo pedra-sabão. Nos telhados, as várias águas eram colocadas em níveis distintos, além da utilização de cores fortes por toda a construção.

  • Clássico e contemporâneo

Outra combinação de estilos bem brasileira é a fusão do clássico com o contemporâneo. A região central da capital paulista é o exemplo mais nítido que temos dessa mistura toda: ao mesmo tempo que é possível observar obras arquitetônicas de centenas de anos atrás, edifícios recentes estão logo ao lado. A modernidade e contemporaneidade do centro de São Paulo abarca estilos como art déco, neocolonial, arquitetura eclética, etc.

O centro histórico citado não é o único rico em diversidade. Muitas outras cidades Brasil afora estão repletas de referências mistas num mesmo território. Basta olhar com atenção.

  • Natureza x urbanização

Embora mais a urbanização crescente tem tomado boa parte das áreas rurais do país há séculos, os brasileiros ainda encontram formas de conviver com a natureza, em meia às nossas selvas de pedra. Assim, os espaços verdes permanecem vivos em parques, ruas e jardins diversos.

O IBGE apontou, no Censo Demográfico de 2010, as cidades mais verdes do Brasil. As práticas de cultivo de plantas e preservação da mata nativa parecem fazer diferença nesse hábito que o país tenta incentivar. Segundo o censo, a cidade eleita como a mais arborizada do país foi Goiânia, capital de Goiás, com uma taxa de 89,5% de arborização.

Ainda que sob tantas influências na arquitetura brasileira, a população de norte a sul do Brasil não se prende somente ao passado. Os novos arquitetos tendem a estar sempre mais abertos e inovadores em relação a outros estilos e tecnologias que chegam para incorporar a paisagem urbana. Com essas constantes evoluções, o país renova seus parâmetros sem deixar de respeitar a diversidade de influências históricas da nossa arquitetura.

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